MAIO 2019

  • “Projecções do FMI para África descuram aspectos complexos”

    “Projecções do FMI para África descuram aspectos complexos”

    27.05.2019

    Carlos Lopes fez estas advertências no lançamento, em Luanda, do livro “África em transformação na era das incertezas”, de que é autor, por ocasião do 10º aniversário da criação do Centro de Estudos de Ciências Jurídico-económicas, Políticas e Sociais da Universidade Agostinho Neto, há pouco mais de uma semana.

    Com base no conteúdo da obra, o autor considera que, na maior parte dos países africanos, a produção de dados estatísticos é débil, pelo que apela a uma reflexão para determinar se, ao fazer projecções sobre o continente, é tido em conta que só 16 países têm as contas nacionais actualizadas. “Sem ter as contas nacionais em dia, teremos dificuldades em conhecer a estrutura da economia”, sublinhou.

    Outra interrogação que é necessário colocar é relativa a que apenas 60 por cento dos africanos têm registo civil, o que significa que uma grande parte da população, nestes países, pode nascer e morrer sem ter nenhum documento e nenhuma transacção formal durante a sua vida política, social e económica. Pede que se olhe para o facto também não tido em conta nas projecções das instituições multilaterais de que, em África, apenas 1,00 por cento das terras estão registadas nos cadastros oficiais, porque, “se não conhecemos a terra, nem conhecemos as pessoas, não conhecemos a economia”, notou.

    O académico, com cátedras na África do Sul e em França, questiona como, com projecções que não têm em conta estes aspectos, o FMI elege como primeira receita a transformação na base da política fiscal e monetária dos países que adoptam programas de estabilização e crescimento económico. “Não se pode transformar um país na base de uma política fiscal e monetária: deve-se conhecer mais os aspectos complexos sem os quais teremos problemas sérios de diagnóstico e, sem um bom diagnóstico, não teremos boas políticas”, declarou Carlos Lopes.

    O economista também deplora as conclusões das missões de avaliação das instituições financeiras internacionais como o Banco Mundial e o FMI, considerando-as muitas vezes “desonestas” por reflectirem estatísticas adaptadas a conclusões pré-concebidas.

    Desafios da transformação

    Segundo Carlos Lopes, a vastidão dos dados estatísticos permite outra leitura da realidade africana, “desde que não seja pautada pelo pessimismo, nem tão pouco pela euforia”.

    Escrito depois da sua saída das Nações Unidas, o livro aborda aspectos da economia do continente, tentando estimular uma discussão à volta dos desafios da transformação estrutural, os quais passam pela saída da letargia em domínios como a formulação de políticas e a adopção de processos de industrialização.

    Este último processo, necessário para o desenvolvimento, é o único que pode gerar emprego para dar respostas à “curva demográfica que estamos a observar em África, onde a população, muito jovem, precisa de empregos mais modernos e decentes”.

    Apesar dos cerca de 500 milhões de dólares de produtos industriais transformados em África, existem vários obstáculos que inviabilizam o aumento da produção. De acordo com Carlos Lopes, o continente enfrenta obstáculos como um capital humano débil, logística aeroportuária bastante medíocre, propriedade intelectual (registo de patentes, marcas) altamente concentrada em mãos privadas e sem utilização pública, bem como infra-estruturas de informática muito débeis.

    Fonte: Jornal de Angola


“Projecções do FMI para África descuram aspectos complexos”

27.05.2019

“Projecções do FMI para África descuram aspectos complexos”

O secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África de 2012 a 2016 chamou a atenção dos Estados d...

FUSÃO REFORÇA CAPACIDADE DE FINANCIAR A ECONOMIA

17.05.2019

FUSÃO REFORÇA CAPACIDADE DE FINANCIAR A ECONOMIA

O presidente da ABANC considera que a fusão entre o BNI e o FINIBANCO é uma decisão estratégica.